Steven Wilson confirmou que já começou a trabalhar com Mikael Åkerfeldt, do Opeth, no segundo disco do Storm Corrosion, projeto que os dois lançaram em 2012. Ele falou sobre o assunto em entrevista a Anil Prasad, criador do site Innerviews.
“É tocado quase inteiramente com instrumentos acústicos”, adiantou Wilson. “É muito diferente, mas você também vai reconhecer a estética, digamos assim.” O músico britânico evitou dar mais detalhes: “Não quero falar muito sobre isso, porque ainda temos um longo caminho pela frente”. Não há data de lançamento, título nem gravadora anunciados.
A confirmação chega cinco anos depois de Wilson falar pela primeira vez dessa possibilidade. Em fevereiro de 2021, ele disse à revista Prog que a remixagem do disco de estreia podia ser “um bom momento para fazer outro disco”, mas reconheceu o obstáculo da distância: “Não dá para a gente se encontrar nas noites de terça para fazer uma jam, e não queremos fazer isso por e-mail”. Na época, completou: “Gosto de pensar que vamos fazer isso em algum momento”.
Um disco “estranho no melhor sentido”
A parceria entre os dois vinha de antes: Wilson produziu os discos ‘Blackwater Park’, ‘Deliverance’ e ‘Damnation’, do Opeth. Para o Storm Corrosion, eles passaram uma semana de 2011 no estúdio do britânico com a ideia de evitar “o óbvio”, e o disco ficou pronto em setembro daquele ano, depois de mais de um ano de composição. Åkerfeldt cuidou das guitarras e Wilson dos teclados e arranjos, enquanto Gavin Harrison, do Porcupine Tree, tocou bateria em uma pequena parte do material.
‘Storm Corrosion’ saiu em maio de 2012 pela Roadrunner Records. O folk de câmara psicodélico, com influências que iam do krautrock alemão a Nick Drake, Bert Jansch e Scott Walker, vendeu 9.400 cópias na primeira semana nos Estados Unidos, onde estreou em 47º lugar na Billboard 200, e chegou ao 45º no Reino Unido. Wilson o descreveu como o fechamento de uma trilogia com ‘Heritage’ (2011), do Opeth, e seu disco solo ‘Grace for Drowning’ (2011).
Em setembro de 2024, a Kscope relançou o álbum com uma nova mixagem em Dolby Atmos feita por Wilson e uma faixa bônus, ‘Drag Ropes’, a única música que a dupla já tocou ao vivo, em um show de Wilson no Royal Albert Hall em 2015, com Åkerfeldt como convidado. “Continua sendo um dos meus lançamentos favoritos de todo o meu catálogo”, disse Wilson na época. Åkerfeldt, por sua vez, o descreveu como um dos poucos discos próprios que consegue ouvir como fã: “Tudo neste disco é estranho no melhor sentido possível”.
De ‘Requiem for a Village’ ao Porcupine Tree
O anúncio coincide com a chegada do nono disco solo de Wilson, ‘Requiem for a Village’, previsto para 6 de novembro pela Fiction Records. Segundo o músico, vários dos jornalistas que estiveram nas sessões de audição “comentaram como ele lembrava um pouco o disco do Storm Corrosion”. O álbum, que sucede ‘The Overview’ (2025), se passa em um vilarejo fictício das ilhas britânicas, tem narração escrita por Andy Partridge, do XTC, e lida pelo ator David Tennant, e foi gravado sem ferramentas de correção nem inteligência artificial.
Wilson vai apresentá-lo nos dias 28 e 29 de outubro no Royal Albert Hall, em Londres, com ingressos esgotados, acompanhado pela Parallax Orchestra e pelo coral SANSARA. Randy McStine, Russell Holzman e Katherine Priddy participam do disco, e novas datas ao vivo serão anunciadas.
Na entrevista, Wilson também falou de suas outras parcerias de longa data, com Tim Bowness no No-Man e com Richard Barbieri e Harrison no Porcupine Tree. “Acho que uma das coisas que eu mais amo na minha carreira hoje é que não existe carreirismo nenhum nela”, disse.



